A suposta adoração de imagens feita por católicos é uma acusação das mais comuns vinda dos meios protestantes. Argumentações aí não faltam, até mesmo passagens bíblicas:
“Não farás para ti escultura.” (Ex 20, 4a)
“Maldito o homem que fabrica ídolo de madeira ou metal (abominação ao Senhor, obras de mãos de artesãos), e o erige mesmo que seja em lugar escondido.” (Dt 27,15)
Mas, dadas essas passagens, a mesma Bíblia diz:
“Farás dois querubins de ouro.” (Ex 25, 18ª)
“E o Senhor disse a Moisés: faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste... Moisés fez, pois, uma serpente de bronze.” (Nm 21, 8-9)
Pois será então que Deus se contradiz, que a Bíblia se contradiz? É claro que Deus pode dar uma ordem e depois fazê-lo contrário, mas o que falta nessas interpretações é contextualização e entendimento. A proibição contra a feitura de imagens tem relação com a cultura da época, tendo em vista que o judaísmo foi a primeira religião monoteísta do mundo (logo, todas as outras expressões religiosas da época falavam de deuses, e os representavam por imagens), e havia na cultura popular uma necessidade de adoração a objetos e coisas como se eles fossem deuses. A proibição de Deus não era contra a feitura de imagens, e sim, contra a feitura de ídolos materiais. Os querubins de ouro e a serpente de bronze exemplificados nas passagens não eram objetos de culto e adoração do povo, e sim, artefatos sagrados (pois foram feitos por ordem divina), que mereciam o devido respeito, ou Veneração.
Dessa forma, é nesse contexto que se propõe a iconografia cristã, ao retratar anjos e santos em esculturas, pinturas e etc. Vale ressaltar que foi a Arte Sacra a grande expressão artística da Idade Média, e que desenvolveu diversas técnicas artísticas hoje utilizadas (ou evoluídas). Fica clara a diferença entre Adoração e Veneração, e a afirmação de Deus contra a adoração de coisas materiais, mas sim o respeito à Arte Sacra e sua devida veneração.
Apesar disso, é claro que a cultura popular desenvolveu uma série de hábitos, entre eles, muitas vezes, o da errônea adoração de santos e de suas imagens. Novamente, não é uma normatização da Igreja ou coisa do gênero, apenas erro de alguns leigos por ignorância. Então, fica claro o dever dos sacerdotes em esclarecer a diferença entre Adoração e Veneração, a importância da iconografia para a Igreja, e colocar tudo no seu devido lugar, pois, se o leigo erra, é dever do seu pastor corrigi-los e orientá-los. Vivemos numa época onde o ensinamento cristão tem uma defasagem muito grande, o que facilita a proliferação de hábitos criados por ignorância popular, e que devem ser contidos pelos padres e bispos responsáveis. Esse tipo de falha se agrava com a intensa mistura religiosa que muitas vezes invade a Igreja, trazendo aberrações como a Teologia da Libertação, que muitas vezes figura implicitamente no discurso e no agir de religiosos e leigos atuantes.
Que cada vez o povo católico se informe sobre sua própria fé, e continue vivendo segundo os preceitos de Deus.

Muito bom,esses dias estava falando sobre esse mesmo assunto na escola.
ResponderExcluirAhhh..Adorei o novo visual do blog! (:
Muito esclarecedor Vini... otimas referências bíblicas, e muito didática sua explicação! Seria otimo se todos os católicos tivessem acesso a esse post!
ResponderExcluirabraços